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Pode o final de uma série como Game of Thrones apagar todo o seu legado positivo?

Difícil encontrar na história da mídia um fenômeno tão grande quanto o de Game of Thrones. Enquanto que nos Estados Unidos e na Inglaterra, ondas causadas por frissons midiáticos são lugares comuns na história recente dos respectivos países, o efeito gerado por Game of Thrones – algo que tomou dimensões mundiais – talvez seja algo único.

Difícil encontrar na história da mídia um fenômeno tão grande quanto o de Game of Thrones. Enquanto que nos Estados Unidos e na Inglaterra, ondas causadas por frissons midiáticos são lugares comuns na história recente dos respectivos países, o efeito gerado por Game of Thrones – algo que tomou dimensões mundiais – talvez seja algo único.

Tal efeito foi amplamente facilitado pela velocidade da transmissão de informações que temos hoje em dia pela Internet. A HBO não é necessariamente uma novata em criar séries que mudam paradigmas. No fim dos anos 90 e no começo dos anos 2000, o trio de seriados composto por Oz, Os Sopranos e The Wire trouxe roteirização e produção de qualidade cinematográficas que hoje inspiram tantas outras obras de TV por aí. Posteriormente, o seriado Lost do canal americano ABC desenvolveu um legado de fãs grande e dedicado a decifrar os vários mistérios da história.

E não podemos esquecer também de febres cinematográficas. Tudo começa com Star Wars, e em tempos mais recentes, Harry Potter com livros, filmes, adaptações ao teatro e spin-offs diversos fizeram da franquia um império valorado em bilhões de dólares.

Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/game-of-thrones-livro-livros-mapa-4180794/

Mas Game of Thrones ainda foi algo único ao se transformar desde seu princípio em seriado lançado mundo afora quase em uníssono em 2011, quando era “apenas” a adaptação de uma série de livros densos de fantasia com grande sucesso nos círculos especializados. Do marketing agressivo ao boca-a-boca dos fãs, a série cresceu para algo muito além do que era esperado a seu princípio.

A grandiosidade do fenômeno Game of Thrones se mostra também naquilo que a série alcançou além das telas de televisão. Os atores escolhidos para interpretarem os papéis principais e secundários do seriado, grande parte deles desconhecidos do grande público, se tornaram astros – com alguns até virando protagonistas de obras de cinema em Hollywood. A marca hoje estampa vários produtos, desde utensílios de cozinha a caça-níqueis online. Enquanto isso, os livros que inspiraram a série são presença constante nas listas de livros mais vendidos no mundo.

Entretanto, talvez seja também pela grandiosidade que o projeto tomou que ela também começou a fraquejar ao nível de qualidade. Os fãs mais leais sempre atentam que após a quinta temporada – coincidentemente quando o autor da série, George R. R. Martin, se desassocia do processo criativo do seriado –, o declínio é perceptível em todos os aspectos.

Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/keychain-game-of-thrones-tabela-3689063/

A linha descendente segue nas temporadas vindouras. Alguns episódios isolados das mesmas conseguiram carregar avaliação muito positiva entre o público. Ainda assim, a obra em si já estava apresentando sinais de um desfecho que talvez não agradaria tanto aqueles que seguiram fiéis ao espetáculo ao longo dos anos.

E assim veio o arco final do seriado. Razão de consternação não só dos fãs, mas também dos atores da obra, em meio a rumores de que os produtores executivos de Game of Thrones, David Benioff e D. B. Weiss, apressaram a conclusão da mesma para começarem a trabalhar o mais rápido possível em suas empreitadas com Star Wars, onde a dupla trabalhará para lançar a nova leva de filmes da franquia.

O final que deixou gosto amargo e muitas questões nas cabeças dos fãs tem avaliação tão negativa, que ele deixa grandes dúvidas se a série inteira não foi manchada por uma conclusão vista como “pobre”, tanto pelo público quanto pela mídia especializada. Mas nem sempre devemos seguir necessariamente tal linha.

Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/tv-homem-assistindo-quartos-3774381/

Olhando para trás, podemos ver o exemplo do supramencionado Lost. Um final inesperado e confuso demais para uma obra que havia se mostrado tão complexa decepcionou milhões de fãs espalhados por todo o mundo, muitos deles que dedicaram horas, quiçá dias de suas vidas para criar teorias e às vezes até desvendar mistérios que pipocavam nos episódios semanais da série.

Pode até ser que hoje Lost seja mais lembrado justamente pela infâmia da sua conclusão. Mas para os fãs que se dedicaram tanto à obra, o que ficou de legado foram as amizades costuradas nos tempos de frequentar fóruns espalhados internet afora para discutir o que se passou na ilha.

Talvez de imediato, os fãs de Game of Thrones não sentirão o mesmo. Até porque ao contrário de Lost, onde grandes “aldeias” em formato de fóruns foram criadas em torno da série, Game of Thrones já veio na toada das mídias sociais, onde poucos caracteres são soltos quase sem dono para se espalhar sem qualquer rumo além de “retweets” e “curtidas”.

Porém, mesmo debaixo de um imediatismo que nos joga de uma peça de mídia a outra à revelia dos nossos serviços de streaming, é de se acreditar que Game of Thrones gerará tanta nostalgia quanto Lost em tempos atuais. O tempo sara!

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