‘Dilma disse que poderia me ajudar no STF’, afirma Cunha

0




Em sua primeira entrevista desde que foi afastado da presidência da Câmara dos Deputados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Cunha acusou a presidente afastada Dilma Rousseff de ter oferecido “ajuda” de cinco ministros do Supremo em seu último encontro reservado com ele, que aconteceu em setembro de 2015.

De acordo com Cunha, em entrevista à Folha de S. Paulo, Dilma o convocou para falar de “medidas e sei lá o quê” e ainda disse que tinha cinco ministros do Supremo para poder ajudá-lo. Na época do encontro, ele havia rompido com o então governo e havia acabado de ser denunciado pelo Ministério Público por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção. Nesta época ele também discutia com a oposição a possibilidade de aceitar o pedido de impeachment contra Dilma.

O presidente afastado da Câmara disse que manteve a proposta em segredo até agora porque Dilma não havia dito o que ia fazer “concretamente” e que considerou a oferta “uma bravata”.

José Eduardo Cardozo, antigo advogado-geral da União, negou enfaticamente essa suposta oferta e afirmou que Eduardo Cunha não merece “nenhuma credibilidade”.

Dilma chama Cunha de ‘capitão do golpe’

Ele também comentou o fato de Dilma chamá-lo de “capitão do golpe” e afirmou que tinha “53 pedidos de impeachment da presidente” e que “nunca da história deste país teve um presidente com tantos pedidos”. “Dos 53 que ingressaram, eu rejeitei 41, aprovei um e ainda deixei 12 que não foram decididos. Se eu fosse o capitão do golpe, já teria tido impeachment muito tempo atrás”, disse.

Eduardo Cunha ainda afirma que não fez chantagem, e sim não aceitou a chantagem de Dilma. “Tenho três testemunhas que estavam na minha sala quando Jaques Wagner surgiu na linha do telefone tentando falar comigo. Ele dizia: ‘O PT quer votar com você. A gente faz tudo, não faça isso’. O [deputado] André Moura [PSC-SE] estava com Jaques Wagner na outra linha dizendo que ele estava insistindo para falar, e eu disse não falaria com ele”, afirmou.

E ele explica por que não quis atender o telefonema: “Porque já estava decidido. Não aceitei ser comprado com o voto do PT”.




Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.