Técnicos relâmpagos: porque eles mal chegam e já são demitidos

A cultura do imediatismo atrapalha o trabalho dos treinadores e resulta em um desempenho medíocre dentro das quatro linhas

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No futebol brasileiro, os técnicos não têm a menor estabilidade. A exceção é encontrar clubes da série A que mantém o mesmo técnico há mais de um ano, como Renato Gaúcho no Grêmio.

O exemplo mais recente é o de Rámon Diaz, que nem chegou a liderar o Botafogo e já foi demitido.

O motivo que faz os técnicos da série A ficarem em média 5 meses no cargo, versus 2 anos e  2 meses quando comparados aos da Premier League, é a pressa pelos resultados, que acaba impactando na baixa qualidade de jogo. Veja essas dicas e prepare melhor as suas apostas online.

Cultura imediatista atropela os técnicos brasileiros

Dentro dos campos brasileiro, haja o que houver, um técnico precisa ter o melhor resultado no prazo mais curto possível.

No cenário ideal um treinador trabalha em longo prazo. É necessário ter tempo para conquistar a confiança dos jogadores e da diretoria, implementar sua metodologia, fazer mudanças e só então começar a pensar em vencer o jogo.

O que acontece por aqui é que o técnico precisa iniciar o seu trabalho já sendo pressionado para ganhar em sua primeira partida. Se a vitória não vem em quatro ou cinco jogos, a demissão é quase certa.

O comportamento do torcedor e a cobertura da imprensa esportiva também influencia, pois acarreta em uma grande cobrança em cima da diretoria. Além disso, tanto os fãs quanto a mídia podem disseminar meias-verdades, queimando a imagem do técnico.

Às vezes, até mesmo os jogadores jogam contra o treinador. Não é raro encontrar declarações dos atletas pós-jogo criticando as atitudes tomadas pelo treinador durante a disputa, expondo a desconfiança presente nos bastidores.

Além disso, há mais um vilão: o calendário apertado de jogos. Os clubes europeus jogam cerca de 60 vezes por anos, enquanto que os brasileiros podem ultrapassar 80 partidas, deixando pouco tempo livre para o técnico fazer o seu trabalho no coletivo.

Os reflexos em campo

A rotatividade dos treinadores está diretamente relacionada ao mau futebol que os clubes brasileiros vêm jogando, bem diferente dos passes envolventes e jogos ofensivo pelos quais o país ficou conhecido.

A medo de perder acaba fazendo com que os técnicos apostem mais em técnicas defensivas que são limitadoras para que o time possa avançar em vez de criar soluções para vencer.

A cultura do imediatismo afeta também a sequência de temporada dos clubes. O excesso de empates visto no Brasileirão deste ano é um exemplo do impacto do entra e sai de técnicos – que já fizeram os profissionais reivindicar na CBF um limite de técnicos por clube durante os campeonatos.

5 técnicos que mal chegaram e já se foram

A instabilidade têm se repetido ao longo dos anos, com demissões de técnicos cada vez mais frequentes. Relembre casos marcantes:

Ramón Diaz

O técnico argentino foi contratado pelo Botafogo em 5 de novembro de 2020, mas ele não chegou a comandar o time. Ele precisou passar por uma cirurgia, a sua comissão técnica não deu conta do recado e a demissão veio apenas 22 dias após a chegada.

Curiosamente, Eduardo Barroca, o técnico seguinte, foi diagnosticado com Covid-19 e também ficou longe do time assim que chegou.

Bruno Lazaroni

Não é a primeira vez que o Botafogo contrata e demite em um período de tempo tão curto. Bruno Lazaroni durou 27 dias no cargo. A demissão veio  logo após a derrota para o Cuiabá por 1 a 0 na Copa do Brasil.

Rogério Ceni

O ex-goleiro palmeirense foi demitido do Cruzeiro com menos de 10 jogos, em setembro de 2019, 46 dias após o anúncio de sua contratação. Sua saída foi polêmica e expôs os conflitos com jogadores e dirigentes do clube.

Antônio Lopes

Em 2011, outro técnico que não chegou a completar um mês treinando o time foi Antônio Lopes no América-MG. Entre 12 de julho e 1º de agosto, ele teve dois empates e duas derrotas, e acabou saindo por motivos pessoais.

Celso Roth

Celso, que foi treinador do Vasco em 2010, conseguiu completar cinco jogos com o time. Ele pediu para sair em tão pouco tempo porque recebeu uma proposta mais generosa de outro clube, o Internacional.

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