Dilma condena cultura do estupro e fala sobre o ‘golpe’

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff, durante cerimônia no Palácio do Planalto, recebe apoio de intelectuais e artistas contra o processo de impeachment (Antonio Cruz/Agência Brasil - Wikipedia))
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff, durante cerimônia no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil – Wikipedia))




Dilma Rousseff participou de um ato organizado por mulheres no Rio de Janeiro e condenou a cultura do estupro e a segregação social. A presidente afastada falou sobre a proibição das babás irem ao banheiro social em um clube e sobre o caso de estupro coletivo, ambos no Rio de Janeiro.

“Essa cultura do estupro contra as mulheres e da exclusão social é algo que nós sabemos que tem que ser combatido por todos os movimentos, mas também pelos governos. É lamentável que ao escolher uma secretária das mulheres ela se manifeste contra o abordo em caso de estupro, previsto em lei. É uma conquista ainda pequena das mulheres, mas é uma conquista. Um agente público, homem ou mulher, mas sobretudo uma mulher, não pode achar que as suas convicções pessoais se sobreponham à lei”, disse Dilma,  falando sobre a nomeação de Fátima Pelaes para a Secretaria de Políticas para Mulheres.

Ela também criticou o governo Temer, por só colocar “homens brancos e velhos” no primeiro escalão.

 “Eu jamais pensei que assistiria alguém ameaçar o Bolsa Família e as conquistas na área de educação. Nunca pensei que num país com essa diversidade pudessem extinguir o Ministério da Cultura. Não é um capricho nosso querer que sejamos representadas no primeiro escalão do governo, porque não é possível deixar que ocorra estupro coletivo ou segregação de babás”, declarou.

Dilma voltou a chamar o processo do impeachment  de golpe e falou que as gravações que vazaram comprovam que o afastamento dela foi a maneira encontrada de impedirem as investigações de combate à corrupção.

“No início eles queriam que eu renunciasse, para tirar o incômodo que é a minha presença. Eu não cometi nenhum crime de corrupção, não desviei dinheiro público, não tenho conta na Suíça, então era melhor que eu renunciasse para evitar o incômodo de tirar uma pessoa inocente. As mulheres resistem, seguram uma barra feia e seguram o bonde. A minha vida inteira eu lutei contra a ditadura nesse país. E agora eu tenho a honra de lutar pela democracia nesse país”, declarou Dilma.

“Eu sei que sou um grande incomodo, porque, como eu sou mulher, eles confundem as coisas. Eles falam que mulher é frágil, mas, se a gente fosse frágil, a gente não criava filho, não segurava trabalhar e cuidar das crianças, não conseguiríamos ter um trabalho decente, nos formar nas universidades, somos a maioria em vários cursos. E se a gente fosse tão frágil, eu não seria a primeira mulher presidente”, continuou.

O ato Mulheres pela Democracia saiu do Largo da Carioca no final da tarde e contou com a participação de cerca de 25 mil na Praça XV, segundo os organizadores.

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