Governo Dilma agiu para abafar CPI, diz Léo Pinheiro




Em depoimento dado à Justiça terça-feira (13), Léo Pinheiro admitiu que pagou cerca de R$ 3,8 milhões para abafar as investigações da CPI da Petrobras, em 2014. O ex-presidente da OAS afirmou que os pagamentos foram feitos para Vital do Rêgo (PMDB), atual ministro do TCU, Gim Argello (ex-PTB), que foi preso pela Operação Lava Jato, e o deputado Marco Maia (PT-RS).

De acordo com Pinheiro, Ricardo Berzoini, ex-ministro de Relações Institucionais de Dilma Rousseff, participou de reunião na casa de Gim Argello. Na reunião foi tratada a blindagem ao governo Dilma Rousseff e às empreiteiras nas investigações da CPMI da Petrobras.

Esta é a primeira vez que o nome de Berzoini é citado na atuação de políticos para evitar a convocação de empreiteiros para fazer depoimentos nas CPIs da Petrobras. O ex-ministro nega. Berzoini afirma que nunca abordou Léo Pinheiro desta maneira. De acordo com o ex-ministro, ele falou com o ex-presidente da OAS rapidamente, enquanto saía de reunião com Argello para discutir a pauta no Senado.

Léo Pinheiro perdeu mês passado sua negociação de delação premiada com o Ministério Público Federal. Esta foi a primeira vez que ele confessou crimes de corrupção e cartel. Pinheiro foi interrogado pelo juiz Sergio Moro. Ele é réu por pagar propina de R$ 350 mil a Argello, via doação a uma igreja.

“Eu queria agradecer ao senhor e ao Ministério Público a oportunidade para eu esclarecer, para falar a verdade, mesmo que esses fatos me incriminem. Eu cometi crimes e para o bem da Justiça do nosso País, para o bem da sociedade, estou aqui para falar a verdade, para falar tudo que eu sei”, disse Léo Pinheiro.




De acordo com Pinheiro, ele foi chamado para encontro na casa de Gim Argello logo após a Operação Lava Jato ser deflagrada. Ele diz que executivos da Andrade Gutierrez e Odebrecht, entre outras empresas, também participaram da reunião.

“O ministro relatou que era uma preocupação muito grande do governo da presidente Dilma o desenrolar dessa CPMI e gostaria que as empresas pudessem colaborar, o quanto possível, para que essas investigações não tivessem uma coisa que prejudicasse o governo”, afirmou ele.

Durante seu primeiro interrogatório como réu, Léo Pinheiro ficou calado. Ele disse que não responderia nada “por orientação dos advogados”. Ele foi condenado a 16 anos de reclusão por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

Sua negociação de delação premiada foi suspensa por Rodrigo Janot. O motivo foi a divulgação de informações sobre o ministro Dias Toffoli, do STF. Ele teria sido citado por Pinheiro; isso é negado pelo procurador-geral.

O outro lado

Ricardo Berzoini diz que Léo Pinheiro errou ao citar a presença de Vital Rêgo, atual ministro do TCU, na reunião. “Nunca estive com Vital do Rêgo junto com o Gim Argello para tratar de qualquer assunto fora do Congresso. Era uma conversa que o Gim me convidou para ter com ele sobre a pauta no Senado na semana seguinte”, disse o ex-ministro, de acordo com O Estado de São Paulo.

Berzoini diz também que foi para a reunião sem saber que Pinheiro poderia aparecer. “Conversamos (ele e Gim Argello) por mais de uma hora e, quando estava de saída, apareceu o Léo Pinheiro, com o qual não tenho nenhuma intimidade, e conhecia apenas de vista”, disse o petista. Ele diz também que não houve qualquer pedido ao empreiteiro.

Já a assessoria de Vital do Rêgo afirma que ele nunca negociou doações ilícitas de campanhas eleitorais ou qualquer vantagem pessoal. Sua assessoria afirma que ele repudia as “infundadas alegações”, que não “desacompanhadas de qualquer prova relacionada ao seu nome”.

Comentários estão fechados.