
Na manhã de quinta-feira (12), por volta das 11h, Dilma Rousseff fez discurso em Brasília para a imprensa local e rodeada de ministros que já foram exonerados, parlamentares, deputados e senadores. Ao entrar no ambiente, ela disse que não era uma entrevista com perguntas, mas um discurso. Rousseff falou várias vezes sobre o “golpe” que está em curso no país.
“Fui eleita por 54 milhões de cidadãs e cidadãos brasileiros. E é nessa condição que me dirijo a vocês nesse momento decisivo para política brasileira. O golpe não visa apenas me destituir. Ao destituir o meu governo querem na verdade impedir a execução dos meus programas. O golpe ameaça levar embora a democracia e as conquistas que a população alcançou na última década”, disse.
Após o resultado da votação no Senado Federal, que começou quarta-feira de manhã e terminou no início da quinta-feira, o processo de impeachment foi aberto e foi determinada a suspensão do exercício do mandato de Dilma por até 180 dias. Vincentinho Alves notificou Dilma e também deve notificar o vice-presidente e agora presidente interino Michel Temer.
“O que está em jogo no impeachment não é apenas o meu mandato, é a vontade das urnas. São as conquistas dos últimos 13 anos, os ganhos das pessoas mais pobres e da classe média, a proteção das crianças, jovens chegando às universidades e escolas técnicas, a realização do sonho da casa própria com o Minha Casa Minha Vida. O que está em jogo é o futuro do país. A oportunidade e esperança e avançar sempre mais”, afirmou.
Ela voltou a chamar o processo de impeachment de “golpe” e afirmou que a oposição não aceitou a derrota e quis tomar à força o poder. “Meu governo tem sido alvo constante de sabotagem”, disse, antes de repetir que não fez crime e não compactuou com a corrupção. “Não tenho contas no exterior”, disse ela, além de afirmar que o processo foi injusto e desencadeado contra uma pessoa “honesta e inocente”.
Dilma chamou o governo de Michel Temer, até então vice-presidente de sua chapa, de “governo não eleito” e que “pode se ver tentado a reprimir quem se opõe a ele”.
A presidente afastada disse que o que mais dói é saber que está sendo vítima de injustiça. “Tenho certeza que a nossa população saberá dizer ‘não’ ao golpe”, afirmou. “Brasileiros que estão contra o golpe, independente de posição partidária, mantenham-se mobilizados. A luta pela democracia não tem data para terminar, a luta contra o golpe é longa e nós vamos vencer. Essa vitória depende de todos nós”.
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