Papa alerta jovens sobre o perigo de tecnologias e globalização anularem individualidade

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O aumento do uso de smartphones é evidente em todo o mundo. De acordo com dados do relatório da GMSA (Group Managed Service Accounts), em 2017, o número de usuários do aparelho alcançou a marca de 5 bilhões no planeta. Além disso, estima-se que, em 2025, o número chegue a 5,9 bilhões.

Abordando a discussão sobre esse boom tecnológico, o Papa Francisco — líder mundial da Igreja Católica — chamou a atenção para as consequências que a globalização e a tecnologia estão gerando, sobretudo para os jovens.

Em um encontro entre líderes de diferentes religiões, realizado na Tailândia, em novembro de 2019, o papa criticou o que ele nomeou como “uma tendência crescente de desmerecer valores e culturas locais pela imposição de um modelo unitário”.

Com isso, ele fez um alerta sobre os perigos da homogeneização, questão tida como ameaça à individualidade cultural e às singularidades. Segundo Francisco, “isto [sic] produz uma devastação cultural que é tão grave quanto o desaparecimento de espécies de animais e plantas”.

No fim do seu discurso, o papa fez um apelo para que os jovens conservem as culturas herdadas de seus antepassados e enalteçam suas origens.

A conservação de culturas locais também foi um dos assuntos tratados na visita ao Wat Roman, vilarejo majoritariamente católico localizado em torno de Bancoc, capital da Tailândia, onde o Papa Francisco incentivou os tailandeses a não classificarem o cristianismo como uma religião de outro país.

Vale ressaltar que na Tailândia, o budismo é a religião predominante, estando relacionada também com a cultura íntima da população. Mesmo assim, nos tempos atuais, os católicos — que representam menos de 1% da população — estão sendo respeitados.

A importância da preservação cultural

A cultura é uma espécie de manifestação da formação humana e é construída por meio da interação social. E é nesse meio que são constituídos incontáveis elementos — como crenças, ritos, mitos e símbolos — que ganham um significado único para quem os compartilha.

Ainda, por meio desses elementos, é criada toda a identidade de uma determinada população e, somente por meio dela, a concepção de mundo de gerações futuras é possível, visto que ter conhecimento sobre o passado é fundamental para a compreensão do futuro e o desenvolvimento social.

Entretanto, a preservação cultural não consiste em isolamento, pelo contrário. É extremamente necessário, natural e saudável o contato com o novo e, para isso, é fundamental que o indivíduo esteja aberto e seja receptivo.

Porém, a experimentação dessas novas culturas e convivências não devem anular a cultura “original”, na verdade, deve ser uma maneira de valorizar a diversidade e uma forma de enriquecimento e agregação.

Portanto, o fato de os jovens serem tidos como “o futuro da nação”, torna importante que eles tenham consciência do peso da manutenção e propagação da sua cultura para as demais gerações, impedindo que culturas externas a diminuam ou até mesmo sobreponham-na.

Por fim, não há parâmetros comparativos entre uma cultura e outra que possam definir qual é a “melhor” ou a “superior”. O nivelamento dos hábitos culturais dos indivíduos constrange e, mais ainda, diz mais sobre quem o define e impõe do que sobre os que foram cerceados.

E, assim como não existe uma cultura melhor do que a outra, também não existe, de forma alguma, uma cultura pior ou inferior.

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